Onde uma manchete vale mais que a saúde mental de alguém.
Assisti o documentário da Amy Winehouse.
Nunca tinha lido sobre a vida dela, nem depois que ela faleceu.
Quem não assistiu o documentário, assista.
Vi no documentário como a infância é marcante. Os traumas que desenvolvemos quando crianças tem grande chance de serem levados conosco, em nossas bagagens, até a vida adulta. A criança com o temperamento dificil, depois de um trauma, pode se tornar uma bomba relógio. A separação dos pais após uma traição, que parece ter sido superado facilmente pelos filhos, na verdade não foi superado.
Pra se rebelar, tatuagem, piercings e maconha. Só falta a liberdade.
Pronto, saiu de casa, morando com as amigas.
Amy sempre gostou de jazz e adorava cantar. Odiava a música da época em que vivia, onde nada era bonito como a música de antigamente. Foi descoberta. Assinou contrato com a gravadora, mas nunca quis ser famosa.
Numa entrevista, antes de virar sucesso no mundo inteiro disse que não sabia se aguentaria a fama. Queria cantar para as pessoas, a boa e velha música, mas aquilo tomou proporções maiores.
Em meio a Beyoncés, Rihannas, o pop em si, apareceu Amy. A menina que cantava de uma forma totalmente diferente. Foi premiada diversas vezes, principalmente por sua voz. O sucesso foi consequência, não seu alvo.
Conheceu Blake Fielder, desenvolvendo uma relação doentia de "amor". Conheceu outras drogas com ele, ficando cada vez mais dependente, das drogas e dele. Cocaína, álcool, bulimia, heroína, crack. Cada vez mais fundo.
Mandada pra rehab diversas vezes, mesmo com resistência. Mas não era o suficiente, pois cada reabilitação era seguida de uma recaída. Ela sabia que seu coração não aguentaria outra overdose, seu corpo não seria forte o bastante pra purificar mais uma vez todo álcool e droga que era injetado nele.
Tirou férias longe das turnês, do namorado problemático, da fama, mas não da mídia. Seu pai, que devia zelar por sua saúde mental, filmou todas as "férias", mesmo ela falando que não queria aquilo. Mas como era apaixonada pelo pai, suportava tudo mesmo assim.
Entre altos e baixos, ia tentando sobreviver. Menosprezada pelo amor da sua vida (no momento já ex-marido), usada por seu pai, exposta e abusada pela mídia, derrotada por si mesma. Tinha uma carreira foda pela frente, que foi interrompida precocemente, por um acidente com o abuso do álcool.
Um relacionamento auto-destrutivo, sangue-sugas dentro de sua família, os jornais e sites se aproveitando e lucrando da desgraça alheia, da confusão mental, dependência química, desequilíbrio emocional. Morre aos 27 anos, mais uma vítima do mundo egocêntrico que vivemos, onde uma matéria para a capa do jornal, um cachê a mais na conta vale mais que uma vida.


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